Ensaio filosófico

Antes de absolver Deus,
convém julgá-lo.

Um livro que concede ao Deus cristão sua onisciência e sua onipotência — e pergunta por que sua bondade deveria escapar ao exame.

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Capa do livro Sobre a Impunidade de Deus, de Máiron C. S. Chaves

A acusação começa onde a fé encerra a discussão.

I — O VEREDITO

O julgamento costuma começar com a sentença pronta.

A tradição cristã afirma que Deus é bom. Tudo o que parece contrariar essa bondade é então lançado sobre o mistério, a limitação humana ou algum plano inacessível. A conclusão permanece protegida; os fatos é que precisam se curvar.

Sobre a Impunidade de Deus suspende essa absolvição. O Deus cristão é submetido aos mesmos critérios morais usados para julgar qualquer agente consciente: o que ele causa, o que permite e aquilo que poderia impedir.

II — A ACUSAÇÃO

Os atributos divinos são admitidos. É justamente daí que surge o problema.

“Se Deus pode evitar o sofrimento sem perder nada, sabe que ele acontecerá e ainda assim o permite, sua bondade precisa ser demonstrada — não apenas repetida.”

01 / RESPONSABILIDADE

O criador também responde pela criação.

Produzir deliberadamente um mundo é assumir responsabilidade por suas condições. A distância entre causar e permitir perde força quando o agente conhecia cada consequência e dispunha de meios para evitá-la.

02 / LIBERDADE

O livre-arbítrio suporta o peso que lhe deram?

A defesa mais repetida da teodiceia é levada até o seu limite. Se Deus conhece infalivelmente todo ato futuro, resta perguntar em que sentido alguém poderia agir de outro modo.

03 / SOFRIMENTO

O mal não termina onde termina a escolha humana.

Doença, catástrofe e dor animal atravessam a história muito antes de qualquer decisão moral. O livro examina o preço cobrado pelas respostas que tentam encaixá-los num plano perfeitamente bom.

04 / ESCRITURAS

O personagem bíblico entra no tribunal.

Ordens de extermínio, punições coletivas e a morte de inocentes são lidas sem a imunidade concedida pelo poder absoluto. A mesma conduta não muda de natureza porque foi atribuída a Deus.

III — AS ESCRITURAS

Quando a violência divina deixa de ser uma abstração.

Dez episódios bíblicos em que o extermínio é ordenado ou executado diretamente por Deus. As referências aparecem em sequência, com uma paráfrase breve da ação atribuída ao personagem divino.

A pergunta permanece a mesma: a autoria divina altera a natureza moral do ato?

Condenamos nos seres humanos a crueldade, a omissão e a punição de inocentes, mas mudamos os critérios quando o acusado é Deus.

Este livro pergunta por quê.

IV — O MÉTODO

O cristianismo é chamado a depor contra si mesmo.

A argumentação avança por silogismos, dilemas e trilemas. As propriedades atribuídas a Deus são aceitas provisoriamente; depois, suas consequências são seguidas até onde a teologia costuma evitar.

Agostinho, Boécio, Tomás de Aquino e Leibniz aparecem como interlocutores. Suas defesas são apresentadas com seriedade, porque uma acusação só vale alguma coisa quando enfrenta a melhor versão da resposta.

Problema do malOnisciência e liberdadeResponsabilidade criadoraTeodiceias clássicas
Máiron C. S. Chaves segurando um exemplar físico de Sobre a Impunidade de Deus

V — O AUTOR

Máiron C. S. Chaves

Cientista de dados, escritor técnico e professor universitário, Máiron é mestre em Matemática Computacional e trabalha há quase duas décadas com estatística e análise de dados.

Sua carreira acadêmica reúne quase uma década de docência universitária, com atuação em cursos de graduação e em programas de pós-graduação nas áreas de ciência de dados, estatística e aprendizado de máquina. É autor de Estatística, Probabilidade e Aprendizado de Máquina.

Neste ensaio, a disciplina do raciocínio formal encontra uma questão que o acompanha desde fora da filosofia acadêmica: quanto da bondade divina sobrevive quando retiramos de Deus o privilégio de ser julgado por regras feitas exclusivamente para absolvê-lo?

VI — A QUESTÃO CENTRAL

O problema é moral.

Um ensaio filosófico sobre o problema do mal e a teodiceia cristã. O livro parte dos atributos tradicionalmente predicados de Deus — onisciência, onipotência e perfeição moral — e investiga sua compatibilidade com o sofrimento e com a responsabilidade causal pela criação.

Se Deus conhece antecipadamente o sofrimento, possui poder para evitá-lo e ainda assim é causa primeira do mundo em que ele ocorre, em que sentido sua bondade pode permanecer imune a julgamento?

O ensaio explora também uma assimetria recorrente: Deus recebe crédito providencial pelo bem, enquanto diante de terremotos, doenças e outras calamidades sem agente humano sua responsabilidade tende a desaparecer nas causas segundas.

É essa imunidade moral que o livro põe sob exame, em diálogo com Agostinho, Boécio, Tomás de Aquino, Leibniz e o próprio texto bíblico.

Sobre a Impunidade de Deus

A absolvição termina aqui.

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